Esperando contra a Esperança

In Destaques, Edificação by Maria Paula Valencia

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Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus Todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro.
Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência”. Abrão prostrou-se, rosto em terra, e Deus lhe disse:
“De minha parte, esta é a minha aliança com você. Você será o pai de muitas nações … Abraão prostrou-se, rosto em terra; riu-se e disse a si mesmo: “Poderá um homem de cem anos de idade gerar filhos? Poderá Sara dar à luz aos noventa anos?”
Gênesis 17:1-19

A esperança é o que nos mantém vivos. Quem não tem esperança vegeta, não vive. Quem passa os anos de sua existência aprisionado pelas algemas do desespero, do medo e da ansiedade, conhece apenas uma caricatura da vida. A vida verdadeira é marcada pela esperança, uma esperança tão robusta que espera até mesmo contra esperança. Foi assim com Abraão, o pai da fé. Deus lhe prometeu um filho, em cuja descendência seriam abençoadas todas as famílias da terra. Abraão já estava com a idade avançada. Sua mulher, além de estéril, já estava velha demais para conceber. A promessa de Deus, porém, não tem prazo de validade. Contra todas as possibilidades humanas, contra todos os prognósticos da terra, contra todo o bom senso da razão humana, Abraão não duvidou por incredulidade, mas pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus e esperou mesmo contra a esperança, e o milagre aconteceu em sua vida. Isaque nasceu e com ele a esperança de uma descendência numerosa e bendita.

 

A esperança que não se desespera tem algumas características:

  • A nossa esperança está fundamentada não em sentimentos humanos, mas na promessa divina:

    Abraão não dependia de seus sentimentos, mas confiava na promessa. Deus havia lhe prometido um filho e essa promessa não havia sido revogada. Abraão já estava velho e seu corpo já estava amortecido, mas esse velho patriarca não confiava no que estava em seu interior, mas n’Aquele que é superior. Não vivemos pelo que sentimos, vivemos agarrados na promessa de Deus. Não devemos nos basear em nossas emoções instáveis, mas na Palavra estável e inabalável d’Aquele que não pode mentir. As promessas de Deus não podem falhar. Ele é fiel para cumprir sua Palavra. Devemos tirar os olhos de nós mesmos e colocá-los em Deus. Dele vem a nossa esperança. Ele é a nossa esperança. Nele podemos confiar!

  • A nossa esperança está fundamentada não em circunstâncias, mas naquele que governa as circunstâncias:

    A fé ri das impossibilidades, pois não é uma conjectura hipotética, mas uma certeza experimental. A fé não lida com possibilidades, mas com convicção. O objeto da fé não está no homem, mas em Deus. A fé não contempla as circunstâncias, mas olha para Aquele que está no controle das circunstâncias. Abraão sabia que Deus poderia fortalecer seu corpo e ressuscitar a fertilidade no ventre de sua mulher. Sabia que o filho da promessa não seria fruto apenas de um nascimento natural, mas, sobretudo, de uma ação sobrenatural. A esperança que não se desespera não olha ao redor, olha para cima; não vê as circunstâncias, contempla o próprio Deus que está no controle das circunstâncias.

  • A nossa esperança está fundamentada não nas ações humanas, mas nas intervenções divinas:

    Abraão e Sara fraquejaram por um tempo na espera do filho da promessa. O resultado dessa pressa foi o nascimento de Ismael. A ação humana sem a condução divina resulta em sofrimento na terra, mas não em derrota no céu. O plano do homem pode ser falho, mas o plano de Deus não pode ser frustrado. Deus esperou Abraão chegar a seu limite máximo antes de agir. Esperou que todas as possibilidades da terra cessassem antes de realizar seu plano. Então, a promessa se cumpriu, o milagre aconteceu e Isaque nasceu. O limite do homem não limita Deus. A impossibilidade do homem não ameaça Deus, pois os impossíveis do homem são possíveis para Deus. Quando o homem chega ao fim dos seus recursos, Deus ainda tem à sua disposição toda a suprema grandeza do seu poder. Deus faz assim para que coloquemos nele toda a nossa confiança, para que tenhamos nele toda a nossa alegria e para que dediquemos a Ele toda a glória devida ao seu nome.

Deus é bom, essencialmente bom. Em sua bondade Ele nos dá o que não merecemos. Nada merecemos, e Ele tudo nos dá. A terra está cheia da sua bondade. As obras da criação e as ações de sua providência refletem sua generosa bondade. Ele nos dá vida e preserva nossa saúde. Ele nos dá o pão de cada dia e nos dá prazer para saboreá-lo. Ele nos dá a família e nos alegra o coração com o banquete do amor. Mas, a bondade de Deus pode ser vista em sua plenitude por intermédio de sua graça especial. Jesus é o dom supremo da bondade de Deus e a salvação que Ele nos trouxe, sua dádiva mais excelente. Porque Deus é bom podemos esperar que o melhor ainda está por acontecer, apesar de tudo parecer o contrário!

Autor: Pastor Valdenir Goulart (Junão)

Texto publicado na revista IBC edição Março/2017

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